segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Proposta inicial de Arte do espetáculo

Breve, estréia CIPRIANO...

       A Cia. de Teatro Hedônicos completará três anos de existência e atuação artística na cidade do Salvador. Em celebração ao seu aniversário (28 de agosto), apresentaremos no mês de outubro, do ano corrente, o espetáculo CIPRIANO. Este espetáculo integrou o Minifestival de Dramaturgia Quatro Cravos para Exu, no Teatro Gamboa Nova em 2010, tendo boa repercussão pela crítica teatral local.
       O espetáculo trata de um huis-clos delirante em ritmo precipitado de tragédia grega, pulsando de morte a cada instante, num tempo suspendido pelos arquejos extenuados de Maria, pelo chorinho já moribundo do bebê, pela violência báquica de Solange e pela inquietante ambição alienada de João.
       Dentro dessa família desestruturada, percebe-se que as relações inescrupulosas ali estabelecidas têm conseqüências de atos anteriores, que vão ganhando corpo ao longo dos anos e são escancarados pelas personagens nos dias que se seguem. Seja pela falta de oportunidade de um futuro melhor, seja pelo instinto de perversidade.
       Representa o quadro da família pobre, sem instrução, marginalizada e desgraciosa que cada dia cresce em nossa cidade do Salvador. Família essa que quase sempre busca um alento, uma amparo nas forças divinas, sejam elas quais forem. Em Cipriano não é diferente, a qual a personagem João está obstinada com a idéia de enriquecer e acredita na conversão à fé protestante para atingir seus objetivos.






Em outubro...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Por que não Dramaturgia?

       Existe um aspecto crítico na forma como o senso comum concebe o lugar do teatro: prevalece a concepção do teatro como instituição inacessível, destinada apenas àqueles que possuem alto poder aquisitivo. Aliás, essa é uma herança desgraciosa, que contamina o teatro brasileiro desde o século XIX, quando as famílias se preparavam para ir ao teatro, sobretudo, para expor suas jóias, roupas vistosas e luxuosas. As peças duravam três para quatro horas, tinham intervalos longuíssimos, durante os quais o público comia, bebia, encontrava amigos, parentes, tratava de negócios etc. Era, de fato, um teatro excludente, que cobrava caro pelos ingressos e que oprimia pela ostentação de riquezas. Os menos abastados, com certeza, eram excluídos, e os que insistiam em ir assistir às peças ficavam, quase sempre, com os piores lugares, às vezes de pé.
          Tenho a impressão de que muita gente ainda pensa que teatro é luxo. Não! O teatro, hoje, é acessível, existem peças gratuitas, peças com preços baixíssimos, programas de inclusão nas comunidades e muitas outras iniciativas interessantes, na tentativa de aproximar a grande massa dos palcos.
          Ainda assim, tenho amigos e parentes que nunca pisaram os pés em um teatro. Durante minha formação na Escola de Teatro, acabo respirando profundamente os ares teatrais, com isso levei muitos amigos e parentes para assistirem pela primeira vez a uma peça de teatro (homens e mulheres de 20, 30, 40, 60 anos). O resultado disso é que eles adoram e prometem voltar mais vezes. Ainda assim, há os que se esquivam do convite, julgando não ter roupas adequadas, não saber se portar, não gostar...
          Acredito que essa resistência, além de ser cultural, como já defendi, dá-se também em função das tecnologias disponíveis da imagem. A teledramaturgia é uma realidade gritante, praticamente gratuita, e que passou a suprir grande parte da necessidade das massas de contato com a experiência dramática.
          Realmente, seria absurdo pensar numa prática disseminada da produção criativa pela escrita dramática nesses tempos em que uns não ouvem os outros, tempos em que o debate acerca do teatro fica restrito à academia de teatro. [1]
            Mas há que se ser transgressor, nesses tempos de escamoteamento do drama, e investir sempre mais nessa escrita dita careta, ultrapassada, antiga, remota, velha e tantos outros adjetivos que caracterizam, antes, o pensamento contemporâneo.
          A população comum, quando de fato aprecia uma peça teatral de qualidade, sai do teatro com algum ímpeto de autotransformação positiva, ainda que mínima, ainda que ao chegar a suas casas, tudo volte ao normal – e voltará – lá no íntimo, o teatro terá conseguido estabelecer algum tipo de relação com o cotidiano, e convidado a repensar questões da vida particular, ou mesmo problemas gerais do homem. Quero dizer com isso que o teatro tem esse poder de “abrir os olhos” do homem para o mundo que o cerca, potencializando uma leitura crítica de mundo, que o faz tornar-se mais autônomo nas suas relações com esse mesmo mundo. Ele se torna mais consciente, e assim sendo, atua de maneira mais política, intensa – ou pelo menos deveria.


[1] Entendo, de forma cada vez mais clara, que a terra brasileira já há algum tempo não é um bom terreno para a escrita em dramaturgia teatral. Num país em que o diminutivo “historinha” e que o aumentativo “teatrão” se transformam em insulto para a gente do palco, não pode haver chão firme para dramaturgos. (BARBOSA, 2010)

Por Tássio Ferreira

sábado, 27 de novembro de 2010

Leitura Dramática da peça ESGOTADO

Como resultado do curso de extensão universitária intitulado: Práticas Criativas em Dramaturgia, ministrado por Tássio Ferreira, com supervisão do Prof. Uendel de Oliveira e Coordenação do Prof. Dr. Marcos Barbosa, vocês verão a leitura dramática da peça ESGOTADO da discente Mônica Leite.


Ao total 06 alunos finalizaram o processo da oficina com uma peça curta escrita que se inspirou na série fotográfica de André Gardenberg, intitulada 'Arquitetura do Medo' (http://www.andregardenberg.com.br/)

(Foto de inspiração para Mônica excrever ESGOTADO)

Durante o curso os alunos eram convidados a escrever cenas partindo de diversos estímulos de criação. A exemplo de uma observação de uma pessoa nas ruas, ouvindo uma música instrumental, apreciando uma pintura, partituras corporais e neste caso, o último ewstímulo foi a série fotográfica de Gardenberg, onde eles puderam escolher uma fotografia para servir de livre inspiração para a escrita de suas peças mais longas. Entendendo longas no máximo 15 páginas.

Sinopse:

E no futuro viverá o homem e o que ele conseguiu criar. Por ser um SER imperfeito, imperfeita também sua relação com ele próprio e a natureza. A realidade se confunde com o ilusório, restando uma geração futura que nunca conhecerá o que é visto hoje. A ganância e o desejo de consumir bem mais do que necessário é a doença que disseminara a humanidade. ESGOTADO tenta mostrar em meio a diálogos aparentemente absurdos, que aquilo que vimos, poderá não vir a ser.

ESGOTADO

Texto: Mônica Leite
Direção: Tássio Ferreira

ONDE: Teatro Martim Gonçalves
QUANDO: 28/11/2010 (Domingo)
HORÁRIO: 9h

Entrada Franca

Elenco: Consa Ferreira, Fernando Campos,
Mabelle Magalhães, Jhoilson de Oliveira,
Joedson Silva, Lucas Bertolucci, Taiana Lemos,
Vivian Rigueira e Yuri Tripodi.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estréia: Abajur Lilás

Release:

Abajur Lilás escrita há quarenta anos, mantêm seu vigor dramático e político inalterado, sendo mais uma vez montada em 2010 como uma homenagem póstuma ao grande autor Plínio Marcos, pela Cia. Gota D’Água de Teatro e a Cia. de Teatro Hedônicos – em parceria. A peça escancara o universo da prostituição, desnudando os estigmas da profissão, denunciando a violação dos direitos humanos e civis das prostitutas, como sendo também uma questão de gênero.

Os diálogos travados entre as prostitutas (Dilma, Célia e Leninha), o cafetão homossexual (Giro) e o guarda-costas torturador (Osvaldo), transporta o público para um mar de emoções. Não existe nada de fácil nas vidas de Célia, Dilma e Leninha. Para atender a ganância de Giro, seus corpos são vendidos de forma extenuante. Não há prazer nos caminhos dessas mulheres, só degradação moral e violência física. Na zona confinada que é apartamento de Giro o ambiente é arraigado pela hostilidade e cada uma se defende como pode. Dilma pela resignação a sua condição de mãe e pelo amor ao seu filho. Célia pela fúria, pela contraposição anarquista a opressão representada por Giro. Entre ataques e defesas vemos a nossa frente um conflito dramático baseado num ciclo de tortura mútua onde a morte se apresenta como horizonte permanente.

A dramaturgia foi modernizada buscando aproximar ainda mais o público baiano da linguagem e da estética de Plínio Marcos, pela inserção de palavras, gírias e expressões genuinamente soteropolitanas. Essa licença poética permitiu que peça suscitasse ainda debates sobre os crimes de pedofilia e o grande aumento no consumo de crack entre os jovens da capital baiana. A proposta é que Abajur Lilás - Poesia da Crueldade seja um espetáculo preenchido pela baianidade com o jeito de ser e as problemáticas da gente do lugar.

Serviço:
Onde: Sala 05, Escola de Teatro - UFBA. Rua Araújo Pinho 292- Canela – Salvador-BA. 
Fones: (71) 3283-7850/3283-7851
Quando: 19, 20, 21, 26, 27 de Novembro. 10 e 11 de Dezembro, às 20h. Aos sábados e domigos sessão extra às 17h.
Quanto: PQQ (Pague Quanto Quiser)
Realização: Cia. de Teatro Hedônicos e Cia. Gota D’Água de Teatro.
E-mail: contato.abajur@gmail.com

Contato: (71) 8703-6182 / 8708-7701


Ficha Técnica


Texto ð Plínio Marcos ð Direção e Adaptação ð Jhoison de Oliveria ð Assistente de Direção ð Tássio Ferreira ð Figurino ð Concepção Coletiva ð Maquiagem ð Iasmin Motta ð Cenografia ð Jhoison de Oliveria ð Luz ð Tássio Ferreira ð Cenotécnico ð Deilton José ð Operação de Som ð Jhoison de Oliveria ð Operação de Luz ð Taiana Lemos ð Fotografia ð Rômulo Alessandro ð Realização ð Cia. de Teatro Hedônicos e Cia. Gota D’água de Teatro.

                                                                                           Elenco

Amanda Nascimento[Dilma] ð Mabelle Magalhães[Célia] ð Monalisa D’Fonseca [Leninha] ð Tássio Ferreira [Giro] ð Thiago Rigaud [Osvaldo]

sábado, 9 de outubro de 2010

Poesia da Crueldade - Abajur Lilás

A cia. de Teatro Hedônicos, há alguns meses, sela parceria com a Cia. Gota D'água de Teatro, diriga por Jhoilson de Oliveira. No estudo de ambas as companhias, está o espetáculo Abajur Lilás, do grandioso dramaturgo brasileiro Plínio Marcos.

No espetáculo, Tássio Ferreira, atua como assistente de direção e interpretando Giro, um cafetão homessexual. Ainda pelos Hedônicos estão: Mabelle Magalhães, vivendo a pele de Célia, uma prosa Thiago Rigaud interpretando Osvaldo, uma espécie de capataz de Giro. Ainda no elenco: Monalisa da Fonseca, interpretanto Leninha, última puta a chegar na casa e Amanda Nascimento, prostituta. Quem assina adireção é Jhoilson de Oliveira.

Considerações de Abajur Lilás, por Jhoilson de Oliveira:

Escrita em 1969, talvez a peça Abajur Lilás seja a obra-prima de Plínio Marcos. Nela o autor se mostra em plena maturidade dramatúrgica, no ápice de sua capacidade de elaboração de tramas. Nos diálogos travados entre as prostitutas, o cafetão homossexual e o guarda-costas torturador o público é transportado a uma teia de relações que vai da ironia ao assassinato de forma avassaladora. Em Abajur Lilás o mundo da prostituição não é feito pelo glamour. Menos ainda pelos fetiches machistas que permeiam os produtos de TV e do cinema quando retratam as profissionais do sexo. Não existe nada de fácil nas vidas de Célia, Dilma e Leninha. Para atender a ganância de Giro, seus corpos são vendidos de forma extenuante. Não há prazer nos caminhos dessas mulheres, só degradação moral e violência física. Na zona confinada que é apartamento de Giro, o ambiente é arraigado pela hostilidade e cada uma se defende como pode. Dilma pela resignação a sua condição de mãe e pelo amor ao seu filho. Célia pela fúria, pela contraposição anarquista a opressão representada por Giro. Entre ataques e defesas vemos a nossa frente um conflito dramático baseado num ciclo de tortura mútua onde a morte se apresenta como horizonte permanente.

Abajur Lilás é um texto que, por direito de nascença, merece lugar entre os melhores da produção teatral brasileira. Na primeira montagem de Abajur Lilás em Salvador o diretor estreante buscou ter como principais marcas de seu trabalho o arrojo e o alargamento do caráter político da obra. A exemplificação desse arrojo se vê na adaptação feita no texto original. A modernização feita no texto buscou aproximar ainda mais a linguagem de Plínio Marcos do público baiano. Essa licença poética permitiu também que peça suscitasse debates sobre os crimes de pedofilia e o grande aumento no consumo de crack entre os jovens da capital baiana. A proposta é que Abajur Lilás - Poesia da Crueldade, seja um espetáculo preenchido pela baianidade com o jeito de ser e as problemáticas da gente do lugar.

O descolamento temporal entre o período de escrita do texto e a Salvador do século 21, serviu para que fosse ampliada a discussão política proposta pelo autor. O espetáculo denuncia a violação dos direitos humanos e civis das prostitutas, como sendo também uma questão de gênero. Na recriação do drama o diretor aponta o olhar para percepção de que as violências físicas e moral direcionadas as mulheres têm no seu corpo uma desqualificação do trabalho que é indissociável da desqualificação do feminino.


O espetáculo estréia 19 de Novembro (em homenagem póstuma aos 11 anos da morte de Plínio) no Feijão da Escola de Teatro UFBA. Sextas, Sábados e Domingos, até o dia 12 de dezembro, sempre as 20h. 

O espetáculo não tem um valor de ingresso definido: pague quanto quiser. Ainda em seu caráter de experimentação, pretende-se arrabatar o público pelas emoções, e com isso, ele fica a vontade para colaborar com quanto quiser.

Breve colocaremos mais notícias do espetáculo, que estréia logo logo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Selecionados para Curso de Iniciação à Dramaturgia

1. Ângelo Soares
2. Bruna Tais
3. Diana Paiva
4. Gabriela Lima
5. Giovanna Pinho
6. José Rebouças
7. Lorena Geambastiani
8. Mabelle Magalhães
9. Marco Calil
10. Mônica Leite
11. Nilton Júnior
12. Pedro Nepomuceno
13. Raimundo Moura
14. Robson Gomes
15. Ruth Marinho
16. Vanessa Marins
17. Vida Lima
18. Vinícius Sena


Material para aula: caderno (ou folhas de papel ofício), caneta, lápis e borracha.


Primeira aula acontece no dia 06/09 (segunda-feira), na Sala 201 - Escola de Teatro - UFBA (Canela)

Dúvidas: 8708-7701 / 8164-8485

Sejam Bem -Vindos!!!