sábado, 29 de maio de 2010

Terceira e última temporada!

Galera,

Estamos encerrando a temporada de apresentações de Vassoura, pelo menos por enquanto. Não sabemos quando voltaremos e se voltaremos.

Então, quem não viu, é  chance de ver. Estamos muito felizes nessa terceira curtíssima temporada no Teatro Gamboa Nova.

As últimas apresentações foram bastante satisfatórias para o grupo. Viemos crescendo e amadurecendo o espetáculo, e encantando o público, que espontaneamente expõe seus pontos de vistas nos corredores do teatro, a cada apresentação.

Esta nova temporada é importante, pelo espaço, que tem um público bem específico, e pela insistência, resistência, e a pedido dos amigos que não puderam conferir nos últimos meses.

Não deixem de ver, sábado que vem, 20h. Quem já viu, veja novamente, indique a amigos, se gostou, e aos inimigos se não gostou!

Evoé...

Vamo que vamo...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mais fotos...

Poesia do Drama




Ó moribundo, tu és tão vil.



Por que não balbucias?



Encontre as forças da solidão



Que tão enérgica é capaz de nos destronar.



Suga-lhe e levantas-te



Dize uma palavra para não me sufocar



Ainda que nada seja a tua palavra



Dize-a



Para que ouvindo-a



Eu fuja de mim



Uma palavra



Que seja

(Edivânia é a Co-diretora e atriz convidada pela Companhia)

sexta-feira, 5 de março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Na pele do Ator

Um texto que já na primeira leitura gostei (e isso é bem raro de acontecer) vassoura atrás da porta, ou, como prefiro e não escondo, quarto número nada, meu título predileto, tem sido um dos processos mais instigantes, interessantes e enriquecedores que já tive o privilégio de participar. Primeiro de tudo, acredito no texto. Reconheço que se trata de uma obra divertida e surpreendentemente madura para um autor tão jovem.

Assumo que sinto prazer em participar daquilo que gosto. Embora não possa negar as dores que todo o processo me causou. E quando falo em dores não me refiro apenas àquelas psicológicas que todo o processo causa, mas pelo fato de meu personagem não ter os braços e isso me causar desconfortos enormes de adaptação. Mas todo o incômodo foi bastante desafiador e valeu muito à pena. Coloquei-me numa perspectiva diferente da habitual que me fez ter necessidade de repensar muito as minhas posturas de ator, e porque não dizer, de ser humano. É impossível separar completamente as minhas vivências pessoais do meu trabalho de ator.

A vida é a matéria prima do teatro. Teatro trata de tudo que é inerente ao ser humano. Na vida, cedo ou tarde, percebemos sua complexidade. Ora é cheia de realizações, esfuziante... Ora trágica, perversa, estranha. E é um pouco desse estranhamento que eu espero que o público perceba. Espero que cada riso, ou provável lágrima, seja motivo para uma futura reflexão. Porque cada emoção que tive (e tenho) como esse processo me leva a perguntas sem respostas garantidas. Mas, inquietantemente necessárias. Como por exemplo, o que fazer na iminência da morte? Como agir na inevitável solidão? Ou talvez questões mais simples: Será que somos capazes de perceber as necessidades dos outros? Não posso deixar de sentir um aperto no peito ao pensar que muitos P2 estão por aí, resistindo sem esperança, vitimados pela conseqüência pura de simplesmente existirem.

Para finalizar, quero dizer que esse espetáculo significa a minha entrada com o pé direito em 2010. Acho que trará sorte começar o ano fazendo o que gosto. Agradeço muito a todo o apoio que sempre tive. Em especial, à minha mãe, que é a minha maior incentivadora nos momentos de descrença com a vida e arte, e a toda minha família e amigos. Descubro a cada dia que tenho muita fé no futuro, no trabalho e no respeito que somos capazes de desenvolver uns pelos outros.

A alma não é só o que me resta. Nunca poderei parafrasear o meu personagem. Confirmo aliviado que “Arte não é falta do que fazer” e que graças a todos que estão ao meu redor, resta muita coisa...

Fernando Campos (Ator da Companhia)


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Atrás da Porta



“Vassoura atrás da Porta ou Quarto Número nada”, me fez rever certas “posturas enraizadas” e minha essência. Venho de uma longa trajetória em busca de um conhecimento interior, nessa trajetória, estudei a mim mesmo, e, principalmente, os outros.

Tive oportunidades de, como ator, explorar várias facetas do ser humano: dor, alegria, tristeza, loucura, solidão, medo, prazer, tortura... Etc. Toda essa gama de sentimentos e mundos, tornaram o que sou hoje: um ser amplo, complexo e em eterna transformação. Sempre acho que nada mais vai abalar minhas estruturas... Nessas horas, tenho raiva de minha ingenuidade.

Quando fui convidado a fazer esse espetáculo, aceitei por ser um texto com grandes sutilizas, mas não imaginaria nunca, o que iria acontecer durante os ensaios. Esse texto mexeu muito com minhas estruturas, pois, deparei-me com o mundo do Teatro do Absurdo (diga-se de passagem, que eu amo), que traz quatro personagens surpreendentes.

A minha personagem permeia entre a loucura e a sanidade; o conformismo e a vontade de viver, e, principalmente, entre a rabugentice, e o humor. Um ser totalmente antagônico. Foi nesse momento que fiquei ciente que minhas “posturas enraizadas” teriam que desfazer-se. Sofri... Entrei em desespero, porque me deparei com uma personagem extremamente complexa e que teria que montá-la em pouco mais de um mês. Tarefa árdua, mas que estou amando de verdade, afinal, o que seria dos atores sem os grandes desafios.

O resultado será julgado pelo público, porém, já fico contente por mais uma vez, o teatro ter bagunçado a minha cabeça e a minha vida. Amo a minha arte e sem ela não sou nada. Uma coisa que tenho certeza, eu, Lucas Bertolucci, estarei atrás da porta, torcendo, aplaudindo, incentivando e mandando energias para um tal personagem que conquistou meu coração... Um acara chamado P1.



Por Lucas Bertolucci (Ator da Companhia.)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lamentos de uma atriz...

Não explicaram muito bem a questão dos processos para o espetáculo. Venho esclarecer melhor. O texto é um olhar intenso sobre a vida de dois pacientes abandonados num quarto de hospital público. Um quarto número nada. Um quarto que as pessoas parecem ignorar. Uma atitude típica de nosso país onde todos preferem fingir que não vêem. Onde os vidros dos carros se fecham ao se detectar a presença de meninos de rua. Onde as maiores injustiças são admitidas por uma população passiva que prima por ser inconsciente. Agora, enquanto escrevo esse texto, ouço na televisão a notícia de que uma mulher, idosa, morreu no posto médico público após 24 horas à espera de uma UTI. Fico profundamente comovida e revoltada.


 
Diante disso, acho que as nossas enfermeiras displicentes e perversas não afastam em nada da realidade. Aliás, o que estará imitando o quê? Mas será esse um problema só brasileiro?Quando vejo as barbáries que acontecem pelo mundo me pergunto: Quem se responsabiliza pelo outro hoje em dia? Quem cumpre o dever básico de ser competente naquilo a que se propõe? Esses, entre outros, foram os questionamentos que o texto me trouxe.


 
Para chegar até aqui tive que lutar contra a minha confortável ação de trabalhar em cima do óbvio e depois ir para casa com a falsa sensação de dever cumprido. Mas eu não quero apenas me sentir confortável. Quero mergulhar fundo, colocar o dedo na ferida. Mesmo que para isso tenha que sair de alguns ensaios pensando seriamente e desistir de ser atriz. Forçando-me ao exercício cada vez mais em desuso de pensar.


 
Como confidenciei ao grupo certa vez, estava sendo muito complicado lidar com a energia do espetáculo. Por ter que mergulhar num ambiente tão pesado como o hospitalar, foi um começo muito sofrido. Ouvir as falas dos personagens tinha efeito direto sobre mim, pois convivo há muitos anos com a doença de um ente muito querido. O mais difícil, certamente, foi ter que me deparar com tanto sofrimento e não me envolver, já que a minha personagem é alheia a tudo isso. Mas o processo, que sempre é caótico no começo, nos ajuda a achar soluções para o que parece ser incontornável. E a cada leitura fui encontrando a minha enfermeira 2, fui me surpreendendo com o que ela era capaz de fazer. Isso me deu um prazer incomensurável e me fez pensar muito, como uma jovem atriz que sabe que tem muito que aprender, e que não posso deixar de me encantar sempre ao perceber o quanto é vasto o universo do ator. Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que o espetáculo contribuiu e tem contribuído muito para a minha melhora como atriz e ser humano. Tenho até a pretensão de esperar que esse espetáculo venha a contribuir para a melhora de vocês.

 Por Mabelle Magalhães
(Atriz e Co-Fundadora da Companhia)